Defesa de Doutorado em Oceanografia Física - 16/05/2018

Autor: CEERMA - 16/05/2018
O Programa de Pós-Graduação em Oceanografia (PPGO) realizará, no próximo dia 16 de maio de 2018 às 8:30am, no auditório do CEERMA, a defesa da tese “Circulation, transport and dispersion of hydrocarbon plumes in the north Brazilian equatorial broadband”, de autoria do aluno Humberto Lázaro Varona González. O trabalho foi orientado pelo professor Dr. Moacyr Cunha de Araújo Filho.

A banca examinadora é composta pelos titulares Dr. Moacyr Cunha de Araújo Filho, Dra. Carmen Medeiros Limongi, Dr. Alex Costa da Silva, Dr. Carlos Esteban Delgado Noriega e Dr. Leonardo Vieira Bruto da Costa.

RESUMO:
Esta tese de doutorado tem como foco o estudo da hidrodinâmica e dos vazamentos de óleo/gás em águas profundas usando os modelos Regional Ocean Model System (ROMS) e GAS_DOCEAN. O primeiro objetivo foi analisar o impacto potencial dos rios Amazonas e Pará sobre a salinidade, temperatura e hidrodinâmica no Atlântico Norte Tropical Ocidental (WTNA) entre 60.5°-24°W e 5°S-16°N. O ROMS foi usado para simular a hidrodinâmica do oceano com resolução horizontal de 0.25° e 32 níveis verticais. A temperatura da superfície do mar, a salinidade da superfície do mar e a corrente superficial foram comparadas com os bancos de dados Simple Ocean Data Assimilation (SODA) e Surface Currents from Diagnostic (SCUD). Os perfis verticais em 8°N,38°W e 12°N,38°W foram validados com dados das bóias do projeto Prediction Research Moored Array in the Tropical Atlantic (PIRATA). No modelo ROMS, foram realizados dois experimentos, primeiro consider a descarga de água doce dos rios Amazonas e Pará e o segundo, sem considerar o aporte de água doce no oceano Atlântico.

Os resultados de ambas simulações foram comparados determinando as mudanças na temperatura, salinidade e correntes de superfície produzidas pela influência da descarga dos rios. A diferença entre as simulações com rios e sem rios na Temperatura da Superfície do Mar (SST) foi de cerca de 2°C, enquanto a diferença da Salinidade da Superfície do Mar (SSS) foi de cerca de 8 psu na área da pluma confinada à costa, com valores máximos de Agosto a Dezembro e 4 psu na área da Contracorrente Equatorial Norte (NECC). As velocidades de corrente de superfície foram mais fortes no experimento com rios, principalmente na área NECC de Setembro a Dezembro e foram muito mais intensas perto da costa de Junho a Agosto. O experimento com rios provoca um deslocamento de fase nas correntes zonais, antecipando as velocidades mais fortes no segundo semestre do ano aproximidamente em 2 meses, alterando o ciclo sazonal. A Profundidade da Camada de Mistura (MLD) e a Profundidade da Camada Isotérmica (ILD) no experimento com rios foram de 20 a 50 m mais rasas sobre toda a extensão da pluma amazônica. A descarga de água doce dos rios desempenha um papel fundamental na formação da Camada de Barreira (BL). O conteúdo de calor oceânico (OHC) no experimento com rios é menor do que o experimento sem rios, principalmente como resultado dos deslocamentos do ILD.

O segundo objetivo concentrou-se na análise do comportamento das plumas produzidas pelos vazamentos de óleo/gás em águas profundas, localizadas na plataforma continental do norte do Brasil. Para isto, utilizou-se o resultado da hidrodinâmica do modelo ROMS com saída de água doce no Atlântico. As simulações com o modelo GAS_DOCEAN foram realizadas em três pontos localizados em (50°W, 5.25°N), (44.5°W, 0.5°N) e (42.75°W, 1°S). Anteriormente, os perfis verticais da temperatura e da velocidade da corrente nesses pontos foram validados comparando-os com SODA. O intervalo de tempo sugerido por Lee and Cheung (1990) foi ajustado devido às condições oceanográficas particulares em cada ponto, o coeficiente 0.1 da equação original foi substituído por 0.0250 para (50°W, 5.25°N) e (44.5°W, 0.5°N) e 0.0375 para (42.75°W, 1°S). Todas as plumas comportaram-se como tipo 3. A velocidade de corrente sazonal foi pequena do fundo para a superfície, geralmente não excedendo 0.25 ms-1; o deslocamento máximo das plumas de seu ponto de origem não foi maior do que 1 m. O diâmetro médio das plumas na superfície variou de 54 a 79.7 m e o tempo de chegada à superfície foi de 7.25 a 8.05 horas.


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