Petróleo e energia fomentam P&D

Autor: Angela Fernanda Belfort, Jornal do Commercio - 25/03/2013
As áreas de energia e petróleo têm regras para estimular o uso de um pequeno percentual de suas receitas para fundos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), parcerias de empresas e universidades. Os textos são de Angela Fernanda Belfort.

Os fundos setoriais garantiram ano passado R$ 2,048 bilhões gastos em projetos de Pesquisa & Desenvolvimento (P & D), em todo o Brasil. Esses fundos obrigam empresas de setores como o petrolífero e o de energia a investirem um percentual da sua receita bilionária em projetos desse tipo. A obrigatoriedade do uso desse dinheiro em P & D tornou a Petrobras a maior patrocinadora de projetos da área no País. Ano passado, a estatal bancou R$ 586 milhões em projetos, em parcerias com as universidades e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs). Os fundos estão trazendo não só as pesquisas em si, mas também têm induzido a criação e expansão de laboratórios muito bem equipados para a multiplicação do conhecimento no meio acadêmico.

A Petrobras é a maior empresa com parceria em P & D na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em média, são R$ 12 milhões por ano em pesquisas, envolvendo de doutores do Centro de Informática (CIn) até pessoal de outras áreas, como engenharia. Numa das iniciativas, foi implantado o Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental (Ceerma), que recebeu R$ 2 milhões em dinheiro do fundo de petróleo só na primeira etapa, já concluída. O projeto envolve recursos técnicos que só existiam no exterior. O Ceerma já disponibiliza salas de realidade virtual, máquinas para testar outras máquinas e um megacomputador com uma capacidade de processamento tão grande que equivale a 384 computadores domésticos.

"A Petrobras está criando com os recursos do fundo setorial uma estrutura de laboratórios e conhecimento que até então só existia no exterior. Um laboratório com a estrutura do Ceerma maximiza as parcerias entre as empresas e universidades", diz o professor de engenharia da produção da UFPE, Márcio das Chagas Moura, que desenvolve suas pesquisas no local. Atualmente, o centro desenvolve pesquisas em parceria com a Petrobras e também com a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Ambas podem resultar em novos produtos, diz Chagas.

O laboratório também trouxe outro ambiente para os alunos. Estudante de doutorado em Engenharia da Produção, Isis Lins fez uma tese sobre o risco e a confiabilidade em sistemas de produção. "Muitas vezes, só consegui replicar os modelos de cálculos
usados no trabalho porque usei equipamentos do Ceerma. Em um computador doméstico, a pesquisa seria inviável", conta.

A segunda etapa do centro já está conveniada entre a UFPE e a Petrobras. Serão R$ 5,5 milhões via fundo do petróleo para habilitar o Ceerma e os cientistas da UFPE a oferecerem à petrolífera um teste que indica em quanto tempo pode ocorrer uma falha em uma válvula usada na extração do petróleo. Esse tipo de serviço, que tem como objetivo aumentar a segurança (inclusive para o meio ambiente) da extração do óleo, só é realizado em dois lugares: as cidades de Edimburgo, capital da Escócia, e em Houston, no Estado do Texas, Estados Unidos.

Para o coordenador do Ceerma, Enrique López, a maior vantagem da parceria é formar recursos humanos. "É importante oferecer mão de obra qualificada aos empreendimentos que estão se implantando em Suape, como a refinaria, a petroquímica e o setor naval", destaca.

O fundo do petróleo está bancando a implantação o Laboratório Integrado em Tecnologia, Petróleo, Gás e Biocombustível (Litpeg). Será megalaboratório de seis andares na UFPE, com equipamentos de geologia e das engenharias químicas, mecânica e civil, orçado em cerca de R$ 70 milhões. As obras vão durar 4 anos e já começaram. "Está sendo montada a infraestrutura física necessária à pesquisa, terminando um ciclo. Na próxima etapa, haverá pesquisa com mais tecnologia, que resultará em mais patentes", diz o professor do Departamento de Oceanografia da UFPE e coordenador do Litpeg, Moacyr Araújo Filho.


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