Além das fronteiras do Cenpes

Autor: Brasil Energia - 08/06/2010
Em quatro anos, desde a implantação das redes temáticas, a Petrobras já destinou R$ 1,1 bilhão à construção e modernização de laboratórios voltados para a indústria de óleo e gás em universidades brasileiras. A cifra engloba um total de 420 projetos, que agregarão, até o fim deste ano, uma área de cerca de 750 mil m², o que equivale a duas vezes e meia o tamanho do Cenpes – já considerando a expansão prevista este ano.

Contabilizados dentro da cláusula de investimento em P&D dos contratos de concessão, que reserva 0,5% da receita bruta de campos que pagam Participação Especial (PE) a projetos em instituições de pesquisa, os recursos acabaram sendo canalizados sobretudo para obras físicas, por absoluta falta de infraestrutura. “O Brasil não tem laboratório nem pesquisadores para colocar todo esse dinheiro”, diz o diretor Executivo do Cenpes, Carlos Tadeu Fraga.

Os projetos estão sendo executados conforme a criticidade dos temas – ou seja, a começar do desenvolvimento tecnológico para o qual a Petrobras requer uma unidade experimental mais rapidamente. Do valor total contratado, R$ 830 milhões já foram desembolsados. Na relação das obras acabadas ou em fase final estão 20 laboratórios com recursos de ponta, espelhados nos principais centros de referência no exterior.

Embora influenciada pela cláusula de P&D, a aplicação de recursos em universidades é considerada útil e oportuna pela petroleira. “Na medida em que fomentamos instituições e programas de excelência em petróleo, atraímos mais pessoas para pensar em nossos problemas”, avalia Fraga.

Projetos pioneiros

O investimento em infraestrutura laboratorial pode variar entre construção, reforma e melhoria de edificações para abrigar instalações físicas, e aquisição, montagem e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos, softwares científicos e outros materiais necessários à implantação e funcionamento do laboratório.

Na lista das novas instalações constam projetos pioneiros no Brasil e até na América Latina. Um deles é o Laboratório de Engenharia Naval do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que conta com tanque de provas, túnel de vento e túnel de cavitação (estudo de hélices).

Outro exemplo de vanguarda é o do Tanque de Provas Numérico da USP. A estrutura poderá realizar testes em sistemas de produção de petróleo, antes contratados pela Petrobras no Japão.

Ganhos para o Nordeste

Mesmo concentrado no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde predominam as instituições com maior produção acadêmica para o setor petróleo, o investimento tem peso maior nas regiões Norte e Nordeste. Dentro da política da Petrobras de destinar de 30% a 40% dos recursos a essas regiões, o aporte por universidade acaba sendo maior, em função do menor número de instituições contempladas e do volume de investimento comparado à realidade local. Na UFPE, por exemplo, há uma estimativa de investimento da ordem de R$ 150 milhões, contra um orçamento anual da instituição de R$ 60 milhões.

O fomento ao desenvolvimento tecnológico fora do Sul e do Sudeste é benéfico para as operações da companhia. Por um lado, facilita o atendimento de demandas do Cenpes em regiões onde a Petrobras mantém instalações. Por outro, favorece a formação de mão de obra local para empresas que prestam serviço à petroleira, evitando custo com a importação de pessoal.

No Rio Grande do Norte, graças a investimentos da ordem de R$ 80 milhões em 30 laboratórios nos últimos cinco anos, a UFRN pôde estruturar o primeiro programa de mestrado e doutorado em Engenharia do Petróleo fora do eixo Rio-São Paulo. A especialização melhorou a avaliação da instituição e abriu portas para o intercâmbio com centros de excelência fora do país.

Segundo o reitor da UFRN, José Ivonildo do Rêgo, os recursos da Petrobras propiciam uma capacitação que vai além dos desafios da indústria de óleo e gás. “Os projetos na área de petróleo mobilizam uma cadeia de competência multidisciplinar, que ajuda o estado a solucionar questões em setores estratégicos da economia local”, afirma.

Como exemplo disso, Rêgo cita a área de Engenharia de Materiais. Os mesmos técnicos que estudam problemas de cimentação de poços de petróleo, como revestimentos específicos, também avaliam questões da indústria cerâmica vermelha, uma típica atividade potiguar. Outra atividade tradicional, a carcinicultura (criação de camarões), é apoiada por técnicos da área de processamento e reúso de resíduos da atividade petrolífera.

Opinião semelhante tem o reitor da UFPE, Amaro Henrique Lins. Para ele, o aporte na universidade é um passaporte para outras esferas de conhecimento. “Esse investimento nos coloca em uma posição na qual podemos nos relacionar com o que há de melhor em termos de instituições no mundo”, ressalta.

O Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental (Ceerma), da UFPE, orçado em R$ 70 milhões, é forte candidato a polo de conhecimento em Pernambuco. Único no gênero fora dos EUA, a unidade contará com um parque experimental para todos os tipos de teste de perfuração, devendo atrair técnicos e pesquisadores de empresas e instituições de todo o mundo.

O Laboratório Integrado de Tecnologias em Petróleo e Gás e Biocombustíveis (Litpeg) é outro projeto estratégico para o estado. Voltada para diversos segmentos da cadeia do petróleo, como geologia, materiais e refino, a unidade tende a desenvolver uma interface com outros empreendimentos em Pernambuco, como o polo industrial de Suape, por exemplo, ao qual fornecerá suporte em aplicações como soldagem para a indústria naval.


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