O pronto-socorro das refinarias

Autor: Por Elian Balbino Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR - 15/08/2009


Um dos laboratórios mais modernos do mundo para desenvolver estudos na área de engenharia de poços está instalado em Pernambuco. O Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental (Ceerma) foi inaugurado recentemente mas já está pondo em prática, com excelência, projetos no segmento de confiabilidade e risco utilizando alta tecnologia. O Ceerma é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Petrobras.

Cerca de R$ 8 milhões foram investidos no espaço, que possui 1.500m² de área construída, divididos em dois andares. No térreo estão instaladas salas para pesquisas, onde trabalham professores da UFPE e estudantes de graduação, mestrado e doutorado.
Mas é o primeiro andar que guarda todo o aparato tecnológico. A sala de trabalho corporativo é onde tudo começa (e termina). É nesse local onde os técnicos do Ceerma podem fazer teleconferências com outros profissionais instalados em dez outras salas do Brasil. Em caso de acidentes em poços ou refinarias, uma outra tela de projeção com esteroscopia, com o auxílio de um óculos de terceira dimensão, é capaz de identificar com mais exatidão o foco do problema. É como se o técnico “mergulhasse” no poço e lá pudesse ver o defeito de perto.
A estrutura permite que as decisões sejam tomadas em conjunto e com uma rapidez muito maior. “Uma outra tela touch screen reproduz imagens e projetos, que podem ser alterados utilizando uma caneta especial. A informação é visualizada para todos os centros que participam da teleconferência. A decisão nos casos de crise é muito mais eficaz”, revela o coordenador geral do Ceerma Enrique López.
A tecnologia é toda local. Os softwares foram desenvolvidos por estudantes da UFPE e os alunos também participam do centro. Alguns recebem capacitações em uma sala específica do prédio e outros participam de projetos desenvolvidos.

Ao lado da sala de trabalho corporativo está guardado o “cérebro” do Ceerma. É num pequeno espaço denominado HPC (High Performance Computing) onde estão instaladas três espécies de CPUs gigantes que gerenciam todo o sistema, fazendo simulações minuciosas dos projetos. “É o que temos de mais avançado aqui em Pernambuco”, afirma o professor do departamento de oceanografia da UFPE, Moacyr Araújo.
Para se ter uma ideia da capacidade da máquina, um PC doméstico dos mais inovadores é capaz de processar duas CPUs ao mesmo tempo. O HPC tem a capacidade de processar 308 equipamentos em paralelo. A capacidade de sete teraflops (um notebook tem 0,00032 teraflops) possibilita ao HPC fazer previsões de fenômenos geofísicos em função do clima e dos movimentos dos rios e mares.

Um dos projetos em que o Ceerma está trabalhando atualmente é o da exploração do Pré-sal , auxiliando a Petrobras a melhorar os tipos de sistemas utilizados nos poços. São testadas as capacidades e os desempenhos de válvulas, e condições de temperatura e pressão. Os testes determinam como novos equipamentos vão se comportar ao longo dos trabalhos de extração do óleo e do ciclo de produção do petróleo.
A Refinaria do Nordeste, instalada no município de Abreu e Lima, também é alvo do Ceerma. É lá onde são feitas análises de risco das instalações e das depressões atmosférica e oceânica. Isso quer dizer que no local é possível prever, com precisão, as consequências, no ar e na água, dos gases emitidos pela refinaria. Assim, fica mais fácil emitir alertas de risco e avaliar possíveis acidentes, bem como dar respostas emergenciais. Além do pré-sal e da Refinaria Abreu e Lima, o Ceerma trabalha em refinarias de petróleo instaladas no Maranhão e no Ceará.

Numa outra sala, localizada ao lado do HPC e denominada de Cave, os técnicos vão poder reproduzir, com fidelidade, as variações dentro de um poço ou reservatório. A câmara é um grande simulador, com paredes e piso brancos feitos de polímero, que ficam ao redor de um projetor de última geração. A máquina projeta imagens no piso e nas paredes, para que o técnico, utilizando óculos especiais, possa identificar o local da falha, como por exemplo um vazamento, e evitar um acidente maior. Na Cave também é possível fazer treinamento com operadores, simulando a resposta e a atitude desses profissionais em situações de alto estresse.

Para que o Ceerma fosse instalado em Pernambuco, foi preciso haver testes e comprovar que a equipe daqui fosse capaz de desbancar candidatos de universidades de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia.

Mas os planos não param por aí. Já no primeiro trimestre de 2010, um galpão com 600 m² vai abrigar quatro poços com 12 m de profundidade, para o desenvolvimento de novos trabalhos. Além disso, um novo equipamento, o Shaker UDS 12000, vai submeter os equipamentos a vibração e choques com qualquer freqüência, simulando condições operacionais reais, antes que as máquinas sejam utilizadas nas refinarias e poços de petróleo.

O espaço também contará com duas câmaras termo-hiperbáricas de aproximadamente 2,5m para realizar testes de altas temperatura e pressão. Ao total, R$ 52 milhões terão sido investidos no local, que tem como uma de suas principais funções solucionar os problemas causados nas extrações de petróleo.


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